CIM Região de Coimbra determinada no combate ao abandono escolar

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O presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, João Ataíde, defendeu sexta-feira, dia 4 de novembro de 2016, a necessidade de se repensar o modelo de oferta educativa para combater o abandono escolar, sobretudo nos territórios de baixa densidade durante o Colóquio Empreendedorismo e Criatividade na Região de Coimbra, promovido pela CIM RC, em parceria com seis centros de formação de professores.

A “principal preocupação” da CIM da Região de Coimbra é o combate ao insucesso e abandono escolares (e a criação de condições para o sucesso escolar), particularmente nas regiões mais atingidas pelo despovoamento, que também são as mais penalizados por aquele fenómeno, afirmou João Ataíde na sessão de abertura do colóquio, no ISCAC, que contou com a participação de mais de uma centena de professores.

“Os territórios de baixa densidade e mais envelhecidos são os mais afetados” pelo insucesso e abandono escolares e isso implica “repensar o modelo de oferta educativa”, sustentou o presidente da CIM, que falava hoje na sessão de abertura do colóquio ‘Empreendedorismo e criatividade na Região de Coimbra’.

É necessário criar um modelo de oferta educativa que, “adequando infraestruturas e recursos humanos”, melhore a aprendizagem e previna o abandono escolar, sustentou ainda o também presidente da Câmara da Figueira da Foz.

“Não escondemos nem esquecemos que problemas como a desertificação ou a queda da taxa de natalidade contribuem para a destruição silenciosa e sistemática do nosso capital humano”, alertou.

A globalização da economia, a permanente inovação tecnológica, a facilidade de acesso à informação e a “hibridização das culturas” impõem uma “reflexão urgente” e que não se pode “confinar aos gabinetes do Ministério da Educação”, disse João Ataíde, que inclui nesta tarefa “a análise e consequente adaptação/alteração dos conteúdos programáticos”.

A Região de Coimbra, que agrupa 19 municípios e é a maior do país, aposta “fortemente” na educação, assegurou João Ataíde, considerando que “a iliteracia é a grande inimiga” da Região, mas que a CIM está empenhada em a combater, envolvendo “as famílias e, naturalmente, as escolas”.

“Não há territórios condenados”, defendeu, durante a mesma sessão do colóquio, destinado a professores, a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Ana Abrunhosa.

“Todos os territórios”, no litoral ou no interior, “têm valor” e o seu futuro depende do talento, da inovação e da criatividade, designadamente para explorar os seus recursos endógenos, disse Ana Abrunhosa, defendendo a necessidade de “qualificar o que já existe” e de incentivar os investidores a investirem em novas áreas de atividade.

O segredo do sucesso está na criatividade, na inovação e no trabalho em rede, considerou a presidente da CCDRC, defendendo “uma ação concertada entre todos” e não “focada só na figura do empreendedor”.

“Quantas vezes, nós, professores, matamos a criatividade dos alunos dentro da sala de aula”, porque, por exemplo, “é preciso cumprir o programa”, questionou Ana Abrunhosa.

O empreendedorismo exige criatividade e o abandono do conservadorismo, da tradição, que ainda há na sala de aula, mas sem que isso signifique o fim de algumas regras, sublinhou a presidente da CCDRC.

O colóquio, destinado essencialmente a docentes do ensino básico e secundário/profissional e estudantes e profissionais da área da educação, centrou-se nos “desafios e oportunidades hoje colocados à escola, enquanto promotora de competências associadas ao empreendedorismo e criatividade, e na sua importância para o desenvolvimento de sociedades mais justas, dinâmicas e preparadas para o futuro”.