CIM RC prepara Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas

ponte d. ines mondego

O aumento da consciencialização sobre a necessidade de avaliar e mitigar as problemáticas associadas às alterações climáticas bem como os impactos na atividade económica, tecido social e vida de todos os cidadãos, levou a Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra a desencadear a elaboração do Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, conforme previsto no Pacto para o Desenvolvimento e Coesão.

Atento a esta problemática o Conselho intermunicipal (CI) da Região de Coimbra aprovou a aquisição, de serviços de consultoria técnica especializada à Universidade de Coimbra com vista á elaboração deste Plano, garantindo desta forma os mais elevados padrões técnicos e científicos num exemplo claro de colaboração entre a academia e os territórios.

O reforço das medidas de adaptação às alterações climáticas, a prevenção e gestão de riscos associados ao clima são preocupações do Conselho Intermunicipal da CIM Região de Coimbra, que solicitou, no âmbito da realização destes trabalhos, a criação de cenários decorrentes das eventuais alterações que permitam mitigar os efeitos dos mesmos.

Com a duração de 9 meses, este contrato destina-se à criação de um instrumento essencial na prevenção e gestão dos impactos derivantes das alterações climáticas bem como a mitigação dos seus efeitos nas fileiras económicas.

O CI da CIM Região de Coimbra considera de extrema importância conjugar esforços para ir ao encontro da Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas, que definiu nove setores prioritários (agricultura, biodiversidade, florestas, recursos hídricos, economia, energia e segurança energética, saúde humana, segurança de pessoas e bens, e transportes e comunicações), pelo que é fundamental perspetivar cenários económicos associados a esta estratégia para os ecossistemas naturais e produtivos da Região, de forma a sensibilizar cada um dos seus 19 Municípios para estas questões.

Recorde-se que no caso da agricultura, os cenários de evolução climática para Portugal até ao final do século XXI apontam para condições progressivamente mais desfavoráveis para a atividade agrícola, decorrentes do agravamento da frequência e intensidade dos eventos extremos causados pela redução da precipitação e aumento da temperatura (stress hídrico), aumentando a suscetibilidade à desertificação.

A disponibilidade e qualidade da água, a fertilidade dos solos e a prevenção da erosão, o aumento da ocorrência de pragas e doenças, ou seja, a alteração dos sistemas fitossanitários e de sanidade animal são alguns dos fatores críticos, na Região de Coimbra, que serão alvo de estudo.

Já ao nível da biodiversidade, as alterações climáticas atuam, de forma direta, e por vezes irreversível, sobre as espécies e funcionamento dos ecossistemas e, de forma indireta, potenciando e agravando os efeitos de outros fatores de ameaça, pelo que, na Região de Coimbra é importante dirigir esforços, entre outros, no desenvolvimento de medidas de controlo e mitigação das espécies invasoras, em particular de espécies vegetais como se verifica com as acácias, bem como de pragas e doenças.

Base de um sector de elevado valor acrescentado, gerador de emprego e que contribui de forma decisiva para o PIB regional e nacional, a floresta assume particular relevância quer na produção silvícola, quer no capítulo ambiental, pelo que o CI da CIM RC considera necessário desenvolver medidas que permitam ajustar os sistemas de produção neste setor, adotando processos de gestão integrada incluindo medidas a diferentes níveis, como forma de mitigar as vulnerabilidades deste setor. As importantes fileiras do Eucalipto, Pinheiro-bravo e Castanheiro são uma das preocupações.

Por outro lado, no litoral de Portugal, as alterações climáticas poderão ter efeitos ao nível da subida do nível médio do mar e alterações na agitação marítima, da sobrelevação meteorológica, da temperatura e da precipitação.

A erosão costeira, alterações na frequência e intensidade de inundações, e alterações na qualidade da água de estuários, lagoas e aquíferos serão alvo de estudo, mas sem esquecer os efeitos que as alterações climáticas terão nos cursos de água continentais, com destaque para o rio Mondego com todos os seus afluentes.

É necessário, também, a avaliar a qualidade ambiental no estuário do Mondego e mar costeiro, que influencia indústrias da região, como a exploração pesqueira, a aquacultura, e a exploração de sal, num processo de estudo que inclui a lampreia e a enguia, produtos típicos da Região Coimbra que poderão sofrer de forma mais acentuada com as alterações climáticas.

Finalmente, no turismo, um dos setores de atividade prioritários da Região de Coimbra, a erosão do litoral, o aumento do nível médio das águas do mar com o possível desaparecimento de algumas praias e a escassez de água, entre outros, poderá inviabilizar parte da atividade turística.

As praias fluviais, a barrinha de Mira e o estuário do Mondego estão entre as preocupações do CI da CIM RC que está determinado na mitigação de possíveis efeitos de alterações climáticas e no reforço do desenvolvimento do ecoturismo.