Região de Coimbra defende emparcelamento para reduzir incêndios

ignicaozero00

O presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Região de Coimbra, João Ataíde, defende que o problema dos incêndios florestais só se resolve com o emparcelamento da propriedade e com políticas que compensem o investimento na floresta.

Os fogos florestais e seus efeitos só serão substancialmente atenuados com o emparcelamento, primeiro “voluntário” e, “mais tarde ou mais cedo, coercivo”, sustentou João Ataíde, que falava, em Coimbra, na sede da CIM Região de Coimbra, durante a apresentação da operação Ignição Zero, da GNR, na área territorial daquela região, que vai decorrer entre 04 e 21 de abril.

A dimensão das propriedades florestais é muita pequena e hoje há mais floresta em Portugal do que há um século (designadamente em resultado do abandono das terras de agricultura e/ou sua substituição por floresta), disse João Ataíde, sublinhando a dificuldade em gerir e explorar propriedades de dimensão tão reduzida.

Mas Portugal “continua a importar cerca de 40% da madeira que consome”, salientou o presidente da CIM Região de Coimbra, considerando que este cenário só será alterado com “políticas integradas que justifiquem o investimento na floresta”.

Embora aponte estas medidas como essenciais para ultrapassar a situação, João Ataíde, que também é presidente da Câmara da Figueira da Foz, releva a importância da operação de fiscalização e sensibilização Ignição Zero, que a GNR está a desenvolver, entre fevereiro e maio, sobretudo junto dos proprietários, para a importância de manterem as florestas limpas, particularmente junto das habitações e caminhos que lhes dão acesso.

A Ignição Zero, que envolve mais de 1.300 militares da GNR, está a ser levada a efeito este ano pela primeira vez, mas já foram desencadeadas ações idênticas, designadamente no distrito de Leiria, desde 2013, e com “resultados positivos”, disse o sargento-ajudante Rui Teixeira, referindo que as ignições diminuíram, neste distrito, 94% e que a área ardida decresceu 77%.

Na área da CIM Região de Coimbra, que abrange os 17 concelhos do distrito de Coimbra e os municípios de Mortágua (Viseu) e da Mealhada (Aveiro), a operação Ignição Zero decorrerá entre 04 e 21 de abril e o comandante do Comando Territorial de Coimbra da GNR, coronel João Pedro Seguro, espera que possam ser alcançados resultados idênticos aos de Leiria.

“A repressão só por si não funciona”, sustentou, durante a mesma sessão, o comandante do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro da GNR, tenente-coronel Albino Tavares, explicando que as equipas da GNR têm optado por se aproximar das pessoas, começando por lhes explicar a necessidade de limpar os terrenos florestados.

A maior parte dos incêndios têm início “junto das habitações e não são intencionais, mas negligentes”, advertiu o capitão João Fernandes, revelando que a operação de fiscalização Ignição Zero na CIM de Coimbra, que abrange 168 freguesias e cerca de 4.500 quilómetros quadrados, com uma população superior a 450 mil habitantes, envolverá 33 militares da GNR, apoiados por 16 viaturas.

A ação, que conta com a cooperação de autarquias e bombeiros, incidirá sobretudo nas “zonas de interface entre espaços rurais e espaços urbanos”, na expectativa de reduzir neste tipo de espaços o número de incêndios, preservando pessoas e bens e, simultaneamente, libertando meios de combate a incêndios florestais para outras áreas.